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sábado, 3 de dezembro de 2011

PINTURAS INDÍGENAS,Oração Indígena.



Pinturas


Frithjof Schuon nasceu na Basiléia, Suíça, em 18 de junho de 1907. Seu pai, violinista clássico e professor no Conservatório Musical da Basiléia, era oriundo do sul da Alemanha, enquanto sua mãe vinha de uma família alsaciana de tronco alemão. Até os treze anos, Schuon viveu na Basiléia e ali freqüentou a escola, mas a morte prematura do pai obrigou sua mãe, por motivo de economia, a retornar com seus dois filhos jovens para sua família em Mulhouse; e foi assim que Schuon recebeu uma educação em língua francesa em adição à educação alemã que vinha tendo.

Aos dezesseis anos, Schuon deixou a escola para se sustentar por si mesmo como designer têxtil — um trabalho que exigia muito pouco do notável talento artístico que ele tivera até então pouca oportunidade de desenvolver. Quando criança, ele já se distraíra muito fazendo desenhos e pinturas, mas nunca recebera nenhum treinamento formal nas artes.

Schuon começou bem cedo sua busca da verdade metafísica, e sua sede de compreensão levou-o a ler não apenas todos os filósofos europeus clássicos e modernos, mas também as doutrinas sagradas do Oriente, especialmente as do hinduísmo, do budismo e do islamismo. Na filosofia ocidental, foram acima de tudo Platão e Eckhart que despertaram um eco em seu pensamento. Entre os escritos orientais, o Bhagavad-Gîtâ era sua leitura favorita.
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Paralelamente a seu interesse pela filosofia, havia seu amor pela arte tradicional; neste caso, a pintura e a escultura do Japão tinham uma lugar de destaque em sua estima. Schuon sentiu-se desde menino fascinado por tudo o que é sagrado, e seu primeiro encontro com uma representação do Buddha lhe causou profunda impressão. Aconteceu no Museu Etnológico da Basiléia, onde ele descobriu o Iluminado sob a forma de uma magnífica estátua de madeira dourada de Yakushi, com estátuas dos bodhisattvas Seishi e Kwannon sentadas de cada lado em seus tronos de lótus.

No período de Mulhouse, Schuon entrou em contato com os escritos de René Guénon, que serviram para confirmar sua própria rejeição intelectual da civilização moderna, ao mesmo tempo em que ajudavam a focalizar melhor seu entendimento espontâneo dos princípios metafísicos e de suas aplicações tradicionais.

Ainda jovem, Schuon prestou serviço militar na França por um ano e meio, e depois trabalhou como designer em Paris. Teve aulas de árabe na mesquita de Paris. Em 1931, visitou a Exposição colonial de Vincennes, onde pôde admirar réplicas de tamanho natural de pagodas e mesquitas, e mesmo do templo de Angkor Wat, que tinham sido erguidas para a ocasião.
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Em 1932 e novamente em 1935, Schuon passou vários meses na Argélia, e após sua segunda estada neste país aproveitou para também visitar o Marrocos — na época desse seu primeiro contato com o Norte da África islâmico, o modo de vida tradicional ainda era em grande parte uma realidade viva. Em 1938, visitou o Cairo a fim de encontrar Guénon, com quem vinha se correspondendo havia seis anos. Visitou Guénon novamente um anos depois, quando passou pelo Egito a caminho da India, país com cujo clima contemplativo ele tinha sempre sentido uma forte afinidade. A Segunda Grande Guerra, contudo, irrompeu naquele momento, obrigando-o a retornar para a Europa mal tinha passado alguns dias em Bombay. 

Nos meses seguintes Schuon esteve engajado como soldado do exército francês. Capturado pelos alemães, foi-lhe dada certa liberdade em virtude de sua ascendência alsaciana, mas, quando tudo indicava que os nazistas obrigariam os alsacianos a tomar parte no exército alemão, Schuon aproveitou uma oportunidade para escapar para a Suíça. Neste país, após curto período de detenção, conseguiu obter asilo; alguns anos depois, obteve a nacionalidade suíça.
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Schuon estabeleceu-se em Lausanne e logo se pôs a escrever. Já em 1933, seus artigos tinham começado a aparecer em Études Traditionnèlles — revista francesa originalmente dedicada à publicação de ensaios de Guénon. De 1963 em diante, Schuon foi um colaborador regular da revista inglesa Studies in Comparative Religion, ao mesmo tempo em que continuava a colaborar para Études Traditionnèlles. O primeiro de seus livros — A Unidade Transcendente das Religiões — foi publicado em 1948, e a ele logo se seguiu O Olho do Coração e Perspectivas Espirituais e Fatos Humanos. Estes e os trabalhos subseqüentes foram escritos em francês. Anteriormente Schuon tinha publicado um livro em alemão intitulado Meditação Primordial, bem como dois volumes de poesia lírica, também escritos em alemão. 

Hoje, a obra de Schuon totaliza 24 livros escritos em francês, traduzidos, em maior ou menor medida, em dez outras línguas. Há também um volume de pinturas — Images of Primordial and Mystic Beauty —, um volume de poemas em inglês — Road to the Heart — e, mais recentemente, cerca de trinta livros de poesias em alemão, a maior parte não ainda publicados.
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Em 1949, Schuon se casou com Catherine Feer, filha de um diplomata suíço — de língua alemã mas que, como ele próprio, tivera sua educação na França desde os 13 anos e, também como ele, com marcado dom para a pintura. Foi depois de seu casamento que Schuon começou a pintar regularmente, devotando a maior parte de suas telas a retratar os índios americanos em seu ambiente tradicional. Ainda menino, Schuon tinha ouvido muito sobre os índios com sua avó paterna, que quando jovem vivera certo tempo em Washington, conhecendo pessoalmente um índio sioux membro de uma delegação de chefes, o qual chegou a pedi-la em casamento; embora não tivesse aceitado seu pedido, ela nunca esqueceu seu amigo índio ou seu povo, e depois transmitiu aos netos seu amor e admiração pelos índios.

Após vários anos pintando imagens de índios, Schuon finalmente encontrou e fez amizade com alguns deles — membros da tribo crow — em Paris, so inverno de 1953. Eles tinham ido à Europa para apresentações num grupo patrocinado por Reginald Laubin e sua esposa, célebres apresentadores e preservadores das danças tradicionais dos índios norte-americanos. Depois de Paris, alguns membros do grupo foram a Lausanne para visitar os Schuons — entre eles Thomas Yellowtail, que viria a se tornar um importante medicine man e líder da religião da Dança do Sol. Cinco anos depois, os Schuons foram a Bruxelas a fim de encontrar índios sioux que tinham viajado àquela capital para apresentações na Feira Mundial.
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Estes encontros abriram caminho para a primeira visita dos Schuons à América, no verão de 1959, quando foram calorosamente recebidos na reserva sioux de Pine Ridge, em South Dakota, e na reserva crow no sul de Montana (ambas nos EUA). Na companhia de amigos índios, eles visitaram outras regiões das pradarias e tiveram oportunidade de presenciar uma Dança do Sol em Fort Hall, Idaho, na reserva Shoshone-Bannock. Quando em Pine Ridge, os Schuons foram adotados na família do chefe James Red Cloud, neto do grande chefe famoso na história (Nuvem Vermelha). James Red Cloud, ele próprio um velho chefe, deu a Schuon o nome de Ambali Ohitika — Águia Corajosa —, nome do irmão de seu célebre antepassado. Posteriormente, num festival índio em Sheridan, Wyoming, os Schuons foram oficialmente recebidos na tribo sioux, e Schuon recebeu o nome de Wicahpi Wiyakpa — Estrela Brilhante.
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Em 1963, os Schuons visitaram as tribos das pradarias pela segunda vez, passando o verão entre seus amigos índios e novamente presenciando uma Dança do Sol em Fort Hall. Durante esta viagem, Schuon teve oportunidade de visitar o túmulo de Black Elk (Alce Negro) em Manderson, South Dakota, e de rever Benjamin, filho do venerável medicine man.

Na primavera de 1965, Schuon fez uma série de viagens regulares ao Marrocos. Na primavera de 1968, visitou na Turquia Istambul, Bursa e Kusadasi — esta última a fim de ir à Casa da Santíssima Virgem, numa região montanhosa perto de Éfeso.

Em 1981, os Schuon emigraram para os Estados Unidos, estabelecendo-se no estado de Indiana. Ali, numa casa de madeira num condomínio situado em meio a uma floresta, Schuon viveu 17 anos, vindo a falecer em 5 de maio de 1998.


(Trechos de texto de B. Perry contido em prospecto a respeito das pinturas de Schuon publicado quando da exposição de suas telas em Colorado Springs, EUA, em 1981.)

ISSIS ANTUNES





Oração Indígena
Índio Americano





 O reconhecimento não tem fronteiras Saudação do índio norte-


americano 

      Ó Grande Espírito, cuja voz ouço nos ventos, cujo sopro anima o mundo, ouça-me.       Sou pequeno e fraco, preciso de sua força e sabedoria.       Permita que eu caminhe na Beleza, e faça que meus olhos contemplem para sempre o vermelho e a púrpura do sol poente.        Faça com que minhas mãos respeitem todas as coisas que o Senhor criou.        Faça meus ouvidos aguçados para que eu ouça a sua voz.        Faça-me sábio para que eu possa entender tudo aquilo que o Senhor ensinou ao seu povo.        Permita que eu apreenda os ensinamentos que o Senhor escondeu em cada folha, em cada pedra.       Busco força, não para ser maior do que meu amigo, mas para lutar contra meu maior inimigo – eu mesmo.       Permita que eu esteja sempre pronto para ir até o Senhor de mãos limpas e olhar firme.       Assim, quando a minha vida estiver no ocaso, como o sol poente, que meu Espírito possa ir à sua presença, sem nenhuma vergonha.
Saudação do Índio Norte-americano – praticada na Escola “Nuvem Vermelha”em Pine Ridge, Dakota do Sul.





 TENHAM UMA BOA NOITE!

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